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Mourinho vence a guerra com Valdano.

José Mourinho não tinha boa relação com os dirigentes do Real Madrid, em especial com Jorge Valdano. Os enfrentamentos começaram na pré-temporada, quando o treinador solicitou a contratação de um terceiro atacante.

No dia 8 de agosto, disse: “Não podemos ficar 10 meses com dois atacantes”. No dia 24 do mesmo mês, foi além: “Se Higuaín ou Benzema se lesionarem, teremos problemas”. Dito e feito. ‘Pipa’ se machucou e desfalcou o time.


No dia 19 de dezembro, após uma péssima arbitragem na partida Real Madrid-Sevilla, Mourinho compareceu à coletiva de imprensa com uma lista apontando os erros cometidos pelo árbitro Clos Gómez na ocasião. O clube, porém, não o apoiou.

O português ainda se queixou por não ter o respaldo do clube: “Há um clube, com uma estrutura, e quero que defendam a minha equipe. O que passou não merece comentário. Se ninguém quiser defender a equipe e ficar atrás de um treinador que sempre dá a cara, perfeito. Vou pedir uma reunião com o presidente”.

No mesmo dia, desmentiu um assunto relacionado a Pepe que estava rodando na imprensa: “É mentira que Pepe tenha pedido 6 milhões para renovar”. Dois dias depois, insistiu no assunto: “O Real Madrid não pode perder Pepe e Pepe não pode perder o Real Madrid”, afirmou com autoridade.

Um grande descontentamento, então, veio do caso Higuaín. Ao saber que o argentino sofria uma hérnia de disco, o treinador foi o primeiro a dizer em público que havia perdido o argentino para o resto da temporada, pois o mesmo precisaria de operação. O Real Madrid, por sua vez, buscou um tratamento conservador, procurou várias opiniões médicas para no fim, após perder várias semanas, chegar a conclusão que o jogador precisaria sim passar por cirurgia.

Mourinho, claro, não perdeu tempo e criticou: “Algum iluminado falou da possibilidade de recuperação sem cirurgia... agora os iluminados mudaram de opinião”.

Outras divergências foram acontecendo, sendo o tema principal a falta de uma atacante, já que Benzema não rendia o esperado e Morata não tinha a confiança do treinador. Surgiram, então, nomes, como Llorente. O espanhol poderia ser uma grande contratação, mas o Real Madrid não quis levar adiante para não estremecer as relações com o Bilbao.

O maior descontentamento, porém, veio após o empate na partida Almería-Real Madrid, quando Mourinho deixou Benzema no banco e o time perdeu mais de 60 minutos sem atacante. O técnico, ainda se queixando do clube não contratar um ‘9’, soube apenas pela imprensa de um “recado” de Valdano, dizendo assim: “Mourinho tinha um ‘9’ no banco de reservas”.

Na mesma semana, ‘Mou’ o respondeu, criticando o fato de receber este tipo de recado pela imprensa, deixando claro que, apesar de ser o Bola de Ouro 2010, não estava contente com os bastidores do Real Madrid, acreditando que cada um dentro do clube estava remando para um lado diferente e com uma postura “em cima do muro”.

Na última semana de janeiro, houve a ruptura definitiva entre Mourinho e Valdano. Primeiro, ao ser questionado se falava sobre reforços com Valdano, foi direto na resposta: “Eu falo com Florentino Pérez e com José Ángel Sánchez (diretor geral executivo)”.

Por fim, antes da semifinal da Copa del Rey, ‘Mou’ proibiu a entrada de Valdano nos vestiários antes e depois dos jogos e, inclusive, dos treinamentos em Valdebebas.

Depois disso, não houve mais contato entre os dois. Recentemente, Mourinho parou de conceder entrevistas coletivas e permitiu que seu assistente, Aitor Karanka, fosse o seu porta-voz. Até mesmo o assistente falou sobre o tema “Mourinho-Valdano”, acabando com qualquer possibilidade de acerto entre o treinador e o diretor. Em poucas palavras, mas com bastante significado, Karanka disse o seguinte: “Valdano é porta-voz do clube, não do treinador”.

Tal resposta veio devido a uma resposta do diretor-geral, dizendo que Mourinho “havia tirado o foco de si para baixar a poeira”. Não deu certo.

No dia 25 de maio de 2011, finalmente, Florentino Pérez anunciou a saída de Jorge Valdano do clube. Segundo o Real Madrid, de forma amigável entre o presidente e o agora ex-diretor.

O fim de um cargo sem utilidade.

Sabia-se que dentro da cúpula, a “hierarquia” nada mais era do que uma política disfarçada para não permitir o contato direto entre treinador e presidente. Outros treinadores ao longo dos anos tiveram esta barreira. O último foi Pellegrini. Valdano era a pedra no sapato. Uma pedra mal colocada por Florentino Pérez.

Uma guerra entre Mourinho e Valdano, a princípio, poderia não acabar bem para o português, uma vez que o dirigente sempre teve o apoio do presidente. No entanto, Mourinho surgiu e mudou os parâmetros, conquistando a torcida e os jogadores, vencendo uma guerra pessoal que durou uma temporada e obrigando o presidente a tomar medidas a seu favor para melhorar a sintonia entre todos dentro do clube.

Raúl se despede da Champions.


Faz 16 anos, mas parece que foi ontem. Raúl González Blanco estreou na máxima competição européia no dia 13 de setembro de 1995 e cumpriu o seu dever, com bravura, no dia 4 de maio de 2011. Chegou com a camisa do Real Madrid e saiu com a do Schalke 04. Uma vida no torneio onde é rei, a UEFA Champions League.

Disputou 144 partidas (132 com o Real Madrid e 12 com o Schalke), tornando-se o jogador que mais vezes atuou na competição em toda a história.

Marcou 71 gols (66 com o Real Madrid e 5 com o Schalke), tornando-se o maior artilheiro da história da competição em toda a história.

Conquistou 3 títulos, todos com o Real Madrid, marcando gols em duas destas finais (contra o Valencia - 2000 - e contra o Bayern Leverkusen - 2002).

Sua despedida foi no Old Trafford (o “teatro dos sonhos”), onde marcou 2 gols ao longo da carreira. Ambos os tentos foram nas quartas de final da temporada 1999/2000: no Bernabéu, empate sem gols; no estádio do Manchester, Raúl marcou dois dos três gols do time merengue (2-3) e deu a classificação aos espanhóis.

Um destes gols é considerado até hoje um dos mais bonitos da história do Real Madrid. Aquele em que Fernando Redondo, com um taconazo, serviu Raúl dentro da área e o artilheiro completou para o fundo das redes.


Na temporada 2002/2003, Real Madrid e Manchester voltaram a se cruzar. Raúl, mais uma vez, marcou dois em uma mesma partida. Desta vez, um doblete no Santiago Bernabéu (vitória por 3 a 1), o que permitiu aos madridistas viajarem à Inglaterra com certa tranqüilidade.

O destino, porém, não quis que Raúl voltasse ao palco do United (não ainda). Uma apendicite o tirou do jogo, aquele marcado pelo ‘hat-trick’ de Ronaldo Nazário pelo golaço de falta marcado por David Beckham (na época, dos red devils).

Na temporada 2010/2011, Raúl retornou ao Old Trafford. Desta vez, para sua despedida, nas semifinais da competição. A situação de sua equipe, no entanto, não era boa: o Schalke havia perdido na Alemanha por 2 a 0 e precisava de um milagre.

O Manchester, favorito, venceu por 4 a 1 e garantiu a vaga à final. Mesmo assim, Raúl se destacou: correu durante todo o jogo, chamou o time, cobrou escanteios com rapidez, cobrou faltas e mostrou aquela garra e vontade que o difere dos outros.

Não marcou gol, mas ao apito do juiz, deu orgulho dos seus últimos minutos. Trocou de camisa com Giggs, enquanto ficou no gramado e recebeu calorosos aplausos de todos os torcedores presentes no estádio. A própria torcida do Manchester aplaudiu o lendário jogador, mostrando respeito a um ícone do futebol, que encerrava ali o seu ciclo no torneio europeu; em seus olhos, emoção.

A torcida do Schalke 04 estava feliz. Gritou e comemorou durante todo o jogo. E não podia ser diferente, afinal, havia chegado às semifinais da Champions pela primeira vez na história. Raúl fez parte disso. Fez parte deste momento tão marcante.

Como um líder, fez o que muitos achavam impossível: levar o Schalke à semifinal. E o fez com aquela mesma bravura da juventude, encerrando sua vida na UEFA Champions League. Uma linda história, que será contada pelas próximas gerações.

Para sempre Raúl.

Os desafios do mês: Tottenham e Barcelona.


Após superar o fantasma das oitavas e chegar às quartas de final da Champions, o Real Madrid se viu na expectativa de lutar pelos três títulos da temporada. Porém, abril não começou bem para os madridistas, visto que no primeiro jogo do mês, o clube blanco perdeu para o Sporting de Gijón em pleno Santiago Bernabéu.

Com o provável adeus ao título do campeonato espanhol, as atenções se voltaram à Liga dos Campeões e a seu próximo adversário na máxima competição européia: o Tottenham Hotspur, time do ex-madridista Van der Vaart.

Além, claro, da expectativa de vencer o Barcelona pelo menos uma vez na temporada. Mais precisamente no dia 20 de abril, no Clássico ‘del Rey’.

Real Madrid e Barcelona também irão se enfrentar na liga espanhola, mas perante a diferença de oito pontos na tabela, o clássico do returno no Bernabéu perdeu importância na questão da briga pelo título e passou a ser apenas uma “revanche” em relação à goleada de 5 a 0 no primeiro turno no Camp Nou.

E se o Barcelona é o líder do campeonato espanhol e possível adversário do Real Madrid nas semifinais da Champions (caso ambos passem das quartas), o Tottenham é uma das maiores surpresas do torneio europeu. Os ‘Spurs’ (como também são conhecidos) deixaram a Internazionale em segundo lugar na fase de grupos, se classificando às oitavas em primeiro lugar do Grupo A.

Além disso, terminaram a primeira fase como os maiores goleadores da competição (ao lado do Arsenal), com 18 gols marcados.

Nas oitavas, tiveram a proeza de vencer o AC Milan em pleno San Siro (0-1) e puderam decidir a classificação em casa, apenas segurando o resultado. Uma missão difícil, já que o time italiano causou grandes transtornos à defesa inglesa.

Retrospecto.

Real Madrid e Tottenham já se enfrentaram na Europa em outrora. Na ocasião (temporada 1984/1985), o clube merengue superou os ingleses nas quartas de final da competição com uma vitória na Inglaterra (0-1) e um empate sem gols no Bernabéu.

A melhor campanha do Tottenham.

Esta é a segunda vez que o Tottenham participa da Champions. Na primeira vez – no início dos anos 60 – fizeram uma ótima campanha e chegaram até as semifinais do torneio, perdendo para o Benfica de Eusébio, ao qual seria o campeão daquele ano.

Os craques rivais.

O Real Madrid sabe que para enfrentar o Barcelona, não pode deixar que Xavi e Iniesta criem, pois os jogadores de frente, como Pedro e Villa – além de Messi, claro – decidem. Com o Tottenham, os madridistas precisam ficar de olho no conhecido Van der Vaart e em Gareth Bale, jogador que iniciou a temporada como lateral e passou a jogar mais avançado.

Em abril...

Higuaín x Benzema x Adebayor.

Até o ano passado, o Real Madrid só contava com um grande atacante: Gonzalo Higuaín. Na época, era o ponto de referência do time merengue, enquanto Karim Benzema era apenas o seu reserva. Entretanto, o argentino se machucou e as atenções voltaram-se ao francês.

Insatisfeito, José Mourinho cobrou a contratação de outro atacante. Florentino Pérez trouxe Emmanuel Adebayor. O togolês chegou para ser o ‘9’ da equipe. E em suas primeiras partidas, se destacou, inclusive marcando na estréia no Bernabéu.


No entanto, a presença de Adebayor despertou Benzema. A aparição do ex-jogador do Manchester City, somado com os trabalhos psicológicos que Mourinho fez com o ex-jogador do Lyon, resultaram em um novo Karim no ataque do Real Madrid.

Acostumados a ver o francês lento em campo, se arrastando e perdendo o foco, os torcedores começaram a ver outro jogador: rápido, eficiente e muito mais leve.

O treinador madridista, então, utilizou os dois atacantes em algumas partidas. Os resultados foram bons. Benzema teve melhor proveito, mas Adebayor ajudou e muito como pivô, abrindo mais espaço ao seu companheiro de ataque.

Em jogos onde optou por uma formação com um atacante, Mourinho escalou Benzema. Com uma ótima média goleadora – ao qual cresceu repentinamente – Karim chegou a marcar 8 gols em 5 jogos, ganhando de vez a titularidade no Mou Team.

Adebayor, por sua vez, tornou-se uma alternativa, uma espécie de estratégia do técnico português para determinados momentos das partidas. E vale lembrar que ambos os jogadores demonstraram em entrevistas suas satisfações pelos seus papéis na equipe.

Neste meio tempo, Higuaín voltou a treinar e começaram as especulações de quem iria ser o titular. Em entrevista ao Real Madrid TV, o argentino comentou que ficou muito feliz de ver a evolução de Benzema, junto com toda a equipe do Real Madrid.

Higuaín, sem dúvida nenhuma, voltará para recuperar o seu posto. Foram anos de sacrifício até chegar ao topo. No entanto, buscará o seu espaço com calma, até encontrar a forma física ideal. Nos primeiros treinos com o Castilla na última semana, chegou a marcar dois gols e ainda concedeu uma assistência em uma mini-partida com os jovens.

O Benzema sonolento de antigamente sumiu. O Benzema de hoje está bem acordado e não cederá a titularidade tão facilmente.

Por fora, Adebayor continuará à disposição de Mourinho para o que der e vier. Tratará de mostrar o seu valor para assim lhe contratarem em definitivo ao fim da temporada (o seu contrato é de apenas 6 meses). É a sua busca e meta.

Os três atacantes estarão disponíveis para ajudar a equipe na luta pelos três títulos. A volta de Higuaín será justo na reta final, em um momento decisivo da temporada.

Há tempos o Real Madrid não tinha uma briga tão boa e sadia pelo ataque. Da última vez, Raúl, Nistelrooy e o próprio Higuaín brilharam juntos nos dois títulos consecutivos do Real Madrid no campeonato espanhol. “Pipita” é o único remanescente.

A evolução de Marcelo.

Marcelo chegou ao Real Madrid em janeiro de 2006. Nem tinha completado 18 anos. Fabio Capello queria que o brasileiro jogasse no Castilla para ganhar experiência. No entanto, Marcelo acreditava que podia jogar no time principal.

Marcelo durante uma partida do Real Madrid com Cristiano e Di María.

Pepe o ajudou dentro do elenco e aos poucos foi ganhando espaço. Não foi fácil: Schuster o colocou como lateral; Juande Ramos o improvisou como interior esquerdo; Pellegrini o utilizou nesta mesma posição em 12 partidas. Naquela época, era visível a deficiência defensiva de Marcelo, que se destacava apenas na parte ofensiva.

Chegou Mourinho. O português tinha uma opinião clara sobre Marcelo, não gostava do brasileiro. Disse que era tudo, menos um defensor. Porém, com pouquíssimo tempo de convivência, mudou completamente de opinião, chegando a dar esta declaração: “A melhor decisão que o clube tomou foi não contratar nenhum lateral, porque temos o melhor”, comentou o treinador merengue. Marcelo ganhou moral.

Mourinho conseguiu extrair o melhor do brasileiro. Pelo fato do jogador não ter jogado a Copa do Mundo, ambos puderam trabalhar juntos desde o primeiro dia, o que foi crucial para a evolução de Marcelo e a mudança de opinião de Mourinho, que se encarregou de mostrar vídeos da temporada passada, onde o lateral cometia erros.

Marcelo aceitou as críticas construtivas e quis melhorar. Deu certo. O curioso é que Manolo Ruiz, auxiliar de Schuster, também fazia sessões de vídeos com Marcelo para ver os seus erros, sem resultado. Há coisas em que apenas Mourinho consegue fazer. Não na questão técnica, que pode até ser a mesma, mas na questão de motivação. Os jogadores, com Mourinho, sentem-se motivados e jogam o melhor de seu futebol.

A confiança no brasileiro fez com que seus números melhorassem muito. Na temporada 2008/09, os adversários ganhavam os lances em quase 68% das vezes. Na temporada seguinte, caiu para 53%. Com Mourinho, até o momento, caiu para menos de 30%. Ricardo Carvalho comentou sobre: “Não sei como era antes, mas quando cheguei aqui me encontrei com um lateral perfeito”, disse o zagueiro.

Em um de seus momentos marcantes no clube, destaque para a partida contra o Espanyol, fora de casa, pela 23° rodada da La Liga. Neste dia, Casillas foi expulso no primeiro toque na bola e a equipe precisou jogar 90 minutos com um a menos. Quem se destacou e mudou o parâmetro do jogo foi Marcelo, que foi o melhor em campo com uma atuação excepcional tanto na defesa quanto no ataque, inclusive marcando o gol da vitória do Real Madrid (0-1) e com a faixa de capitão no braço.

No dia 16 de março, o Real Madrid teve um grande desafio: passar das oitavas de final da Champions após seis anos. Os madridistas venceram o Lyon por 3 a 0. O herói do jogo? Marcelo. O brasileiro abriu o placar com um golaço, iniciou a jogada do segundo e se consagrou como o melhor jogador da partida.

A evolução de Marcelo é visível. A torcida do Real Madrid reconheceu o seu esforço e o aplaudiu em todas as partidas do time no Bernabéu na temporada. Atualmente é titular absoluto no time de Mourinho. Merece ser o lateral da seleção brasileira.

A genialidade de Özil.

Mesut Özil chegou ao Real Madrid como o ‘8’ que faltava na equipe desde muitos anos após ser uma das grandes revelações da Copa do Mundo na África do Sul. E não precisou de muito tempo para cair nas graças da torcida. Assumiu o seu posto na equipe de Mourinho e formou o ‘trio de ouro’ ao lado de Cristiano e Di María.

Özil beijando o escudo do Real Madrid.

Em uma entrevista em novembro de 2010, revelou os motivos que o levaram até a equipe blanca e a torcida pôde conhecê-lo um pouco mais. Mas foi dentro de campo que deixou a sua melhor impressão, se adaptando rapidamente ao time e ao país, sem se deixar levar pela pressão que costuma atingir muitos jogadores no começo.

Após boas apresentações com dribles, passes, gols e ‘flutuando’ em campo, Özil só teve um desafio a superar: a regularidade. Se de um lado era destaque na maioria das partidas, do outro tinha um ligeiro ‘apagão’, principalmente fora de casa. Mas para alegria da torcida, superou este desafio, deixando de ser uma revelação para tornar-se uma realidade, um novo ídolo do Real Madrid.

Com uma classe fora de série, Özil se consagrou como o ‘rei das assistências’ do time merengue, algo já previsto no último parágrafo da coluna Özil, o “8” que faltava no Real Madrid. Após o fim da 22° rodada da La Liga no dia 6 de fevereiro de 2011 – o jogo seguinte após o gesto da foto acima na Copa del Rey, onde beijou o escudo do clube – os números do craque alemão eram estes: 8 assistências e 5 gols na Liga; 3 assistências e 1 gol na Champions; 1 assistência e 3 gols na Copa del Rey.

Ou seja, 12 assistências e 9 gols contando todas as competições, sendo ao todo pouco mais de 2.500 minutos jogados. Números de um genial jogador, que passou de ‘camisa 8’ para ‘camisa 10’ da equipe em pouquíssimo tempo. Apesar de usar a ‘23’, já é tido em Madrid como o ‘novo 10 blanco’.

Tal ascensão lhe deu tanta confiança, que independente do lugar que o treinador lhe coloca em campo e de quem seja escalado, sempre encontra o seu espaço para garantir a sua posição. Isto se dá graças ao seu estilo e visão de jogo, um talento que lhe dá condições de se sobressair tanto em velocidade quanto em espaços curtos.


Confira o seu estilo de jogo em partidas recentes.

A genialidade de Özil, com apenas 22 anos, encantou o Bernabéu e deixou claro que o Real Madrid conta com um jogador único, que apesar de já ter chegado a um grande nível, ainda tem tempo para alcançar patamares ainda maiores.

Se vai se tornar um novo Zidane, um gênio incompreendido ou uma definição ainda desconhecida, não se sabe, mas certamente será um futuro Bola de Ouro.

O Clássico 'del Rey'.

21 anos depois, Real Madrid e Barcelona voltam a se cruzar na final da Copa del Rey, o torneio que ficou esquecido por um longo tempo no fundo do baú do clube blanco.

Os madridistas no último degrau antes da final.

A última vez que o Real Madrid chegou à final da competição foi há 7 anos, quando perdeu a decisão da temporada 2003/2004 para o Real Zaragoza por 3 a 2, levando o gol decisivo na prorrogação.

De lá para cá, houve momentos decepcionantes no torneio, como as eliminações precoces diante do Unión e do Alcorcón (nas 16 avos de final). Ambas as equipes estavam na Segunda Divisão B da Espanha na época. O ‘Alcorconazo’ é lembrado até hoje, pois se tratava de um novo Real Madrid, que almejava todos os títulos sob o comando do chileno Manuel Pellegrini.

É dizer: Quatro anos sem passar das oitavas. Antes de Unión e Alcorcón, os ‘algozes’ foram Mallorca e Betis. O último título, porém, só foi conquistado na temporada 1992/1993, em outra final contra o Real Zaragoza.

Ao longo deste tempo, o grande rival Barcelona continuou apostando no torneio. Os catalães ergueram o troféu 25 vezes (contra 17 do Real Madrid).

Apesar de ter menos títulos, o time merengue é o que mais vezes chegou à final: 37, contando a de 2011. 6 delas foram contra o Barcelona; confira as 5 últimas:
  • 1990 | Barcelona 2-0 Real Madrid (Luis Casanova).
  • 1983 | Barcelona 2-1 Real Madrid (La Romareda).
  • 1974 | Real Madrid 4-1 Barcelona (Calderón).
  • 1968 | Barcelona 1-0 Real Madrid (Bernabéu).
  • 1936 | Real Madrid 2-1 Barcelona (Mestalla).
Agora, em 2011, com José Mourinho sob o comando e com jogadores como Özil, Di María e Cristiano em campo, o Real Madrid volta a sonhar com o título da Copa.

O treinador português, campeão em todos os lugares que passou, perdeu a primeira batalha no Camp Nou pela La Liga e viu a equipe catalã disparar na tabela.

Se ‘Mou’ não esquece a derrota de 5 a 0 no 1° turno, o Barcelona também não esquece a eliminação na Champions pela Inter de Mourinho.

A grande decisão entre Real Madrid e Barcelona na primeira temporada da 'Era Mou' na Espanha, no entanto, não será nem pelo campeonato espanhol e nem pela Champions. A Copa del Rey será a protagonista após mais de duas décadas e poderá ser um novo marco para os dois clubes.

O Barcelona buscará a consolidação; o Real Madrid, o renascimento.

Adebayor, o '9' do Real Madrid.

Emmanuel Adebayor é o mais novo contratado do Real Madrid e o atacante que José Mourinho tanto buscou desde a pré-temporada. No início, a idéia do treinador era ter uma alternativa para Higuaín e Benzema, mas com a operação do argentino, a necessidade passou a ser a busca por um ‘9’ no ataque blanco.

Adebayor e Cristiano quando ambos jogavam na Inglaterra.

Mourinho e Adebayor já se cruzaram em outrora. Apesar de o togolês ter se destacado e ganhado nome na Premier League, foi na França que deu os primeiros passos. Em 2001, foi promovido ao time principal do Metz e por lá jogou mais dois anos, até que foi contratado pelo Mônaco. E, em sua primeira temporada na ex-equipe de Fernando Morientes, chegou à final da Champions. Porém, tinha o Porto em seu caminho e o time português foi o campeão com os madridistas Mourinho e Carvalho.

No Mônaco jogou por mais duas temporadas, até que, enfim, chegou à Inglaterra, graças ao interesse de Arsène Wenger. Na época, o Arsenal já não podia contar com Kanu e o técnico do time inglês pensou em Adebayor como o substituto.

Em seu primeiro ano, jogou a sua segunda final de Champions. Não foi campeão, mas mostrou o seu valor e anotou quatro gols no torneio; nas três temporadas e meia que vestiu a camisa do Arsenal, marcou 62 gols. Além disso, foi eleito o melhor jogador africano de 2008, tornando-se o único togolês a alcançar este feito.

Após esta etapa nos “gunners”, Adebayor chegou ao Manchester City em 2009. Em sua primeira temporada, marcou 14 gols. Na temporada atual, no entanto, jogou pouco: apenas 13 vezes. Mesmo assim balançou as redes em 5 ocasiões.

Na seleção, liderou o seu país na primeira classificação de Togo para a Copa do Mundo na história. Foi em 2006. Nas eliminatórias africanas, marcou 11 gols. Apesar deste feito, deixou a seleção em 2010, após ter sido vítima de um ataque terrorista junto com os seus companheiros. Na ocasião, um grupo rebelde angolano atacou covardemente o ônibus da seleção togolesa, matando o motorista e ferindo dois jogadores. No dia seguinte, Togo abandonou o torneio (Copa das Nações Africanas).


Adebayor chega ao Real Madrid com 26 anos, após ter marcado 81 gols em sua passagem na Inglaterra. Com os seus 1,92m, tentará mostrar a sua qualidade para se firmar no time titular de Mourinho e lutar pelos títulos da Liga, Copa e Champions.

Seja bem-vindo, Adebayor.

Granero, a alternativa de Mourinho.

Esteban Granero era jogador das bases do Real Madrid. Partiu em busca de minutos e ganhou experiência no Getafe. Em 2009, voltou ao time merengue com o sonho de triunfar naquela que era a sua casa, acreditando ser a oportunidade da sua vida.

Momento do gol de Granero contra o Almería; assista.
Com Pellegrini, jogou a maioria das partidas como titular e, inclusive, marcou o primeiro gol da pré-temporada sob o comandado do chileno. Com o passar do tempo, no entanto, Granero sofreu altos e baixos e não teve um bom final de temporada.

Surgiu, então, Mourinho. Vieram novas contratações. Pensava-se que dificilmente o ‘pirata’ teria espaço com a vinda de Özil, Canales, León, Khedira & Cia. Teve menos minutos comparados a temporada anterior. Bem menos. Mas por incrível que se pareça, se destacou mais.

Nos treinos, sempre disposto; no campo, à espera de uma chance. Mourinho o conheceu bem na partida contra o Levante (8-0). Granero formou com Xabi Alonso a dupla de volantes da equipe de ‘Mou’. Jogou bem e agradou. Não só o treinador, mas a torcida, que começou a acreditar que ele poderia ser o titular no lugar de Khedira.

Granero não é um meio de campo. É um jogador versátil, que pode se adaptar onde for necessário. Jogador de equipe. Com Mourinho ao seu lado, aconteceu o que acontece com a maioria dos jogadores que trabalham com o português: ganhou confiança.

Após este jogo, Granero ganhou novo papel no esquema e tornou-se uma alternativa para momentos difíceis. Na última rodada do primeiro turno da La Liga, ‘Mou’ o colocou em campo no momento em que o Real Madrid estava perdendo para o Almería. Era a última cartada. Granero entrou e foi o herói blanco, marcando o gol de empate (1-1).

O placar não foi bom para o time blanco, mas serviu para extrair boas coisas da equipe. Granero foi a principal delas. Vestiu a camisa e foi o nome do jogo.

Vestindo a ‘11’, Granero segue trabalhando para aproveitar as oportunidades. Não é titular e nem precisa ser. Ao olhar para o banco, Mourinho tem uma boa alternativa.

À espera de Higuaín.

Gonzalo Higuaín sofria uma hérnia de disco. Jogou várias partidas com dores, no sacrifício. Os médicos do Real Madrid recomendaram uma cirurgia no ano passado. No entanto, buscaram outras opiniões médicas para saber se isso seria ou não inevitável. O atacante madridista, então, foi para Barcelona ser examinado pelo Dr. Enric Cáceres. O médico, porém, não descartou a operação.

‘Pipa’ em Chicago, nos Estados Unidos.

Após examinar o argentino, Cáceres disse em entrevista para ‘La Sexta’ que o seu paciente tinha “uma hérnia de disco de um tamanho considerável”. Pipita, por sua vez, comentou no Twitter assim: “Tratarei de tomar a melhor decisão o quanto antes. É difícil. Obrigado”, escreveu, agradecendo os fãs que o apoiaram.

Já em 2011, Higuaín, os médicos e o Real Madrid decidiram que o argentino passaria sim por cirurgia. A operação foi feita no místico dia 11/1/11 em Chicago, pelo Dr. Richard G. Fessler. Foi um sucesso, como era esperado.

Com isso, o atacante blanco ficará afastado dos gramados por quatro meses. Será um grande desfalque para o time de Mourinho, pois se trata do matador do Real Madrid.

O clube descartou a hipótese de contratar um atacante no mercado de inverno. O seu reserva, Benzema, terá que dar conta do recado sozinho. Ou, em uma opção interessante, promover o jovem Morata. Mas se sabe que os ‘canteranos’ não ganham muitas oportunidades, infelizmente. Outra alternativa, é mover Kaká ou Cristiano.

Higuaín, de 23 anos, jogou a sua última partida no dia 20 de novembro de 2010, contra o Bilbao. Jogou 18 partidas na temporada 2010/2011, sendo 17 como titular. Marcou 11 gols e se tornou uma peça importantíssima para Mourinho como o grande atacante do time, que agora o espera ansiosamente. Na 18° rodada da La Liga, os jogadores blancos entraram em campo com uma camisa de apoio ao argentino (relembre aqui).

Prestígio: O Dr. Enric Cáceres já operou outros jogadores e é um dos especialistas com mais prestígio na Espanha. Um dos seus pacientes, Santi Cazorla, da seleção espanhola, teve o mesmo problema de Higuaín. O espanhol foi operado na temporada passada e tudo ocorreu bem. No entanto, o escolhido para fazer a operação de Higuaín foi o Dr. Richard G. Fessler, especialista norte-americano.

Gago volta para ficar.

O argentino Fernando Gago tem motivos para comemorar. O jogador finalmente se recuperou de suas contínuas lesões no joelho e está à disposição de Mourinho para a segunda parte da temporada.

Gago em sua primeira partida em 2011.

Em sua estréia na temporada, contra o Levante (2-0), o volante começou como titular e ficou em campo a partida inteira. Para melhorar o retorno, o madridista jogou como capitão da equipe, aproveitando o fato de titulares terem sido poupados pelo treinador.

O drama do jogador começou no último jogo de pré-temporada do Real Madrid, no dia 24 de julho de 2010, quando lesionou o joelho esquerdo durante a disputa do Troféu Bernabéu diante do Peñarol.

Cinco semanas depois (no dia 7 de outubro), visando o retorno aos gramados e já recuperando o ritmo ao lado de seus companheiros, sofreu uma recaída enquanto a equipe principal disputava um jogo treino em Valdebebas contra o time das bases (Castilla).

Se não bastasse isto, no dia 8 de novembro sofreu nova lesão no mesmo joelho esquerdo, o que o impediu de jogar até o final do ano.

Após um novo trabalho de recuperação e treinos específicos, Gago pôde, enfim, estrear na temporada. ‘Mou’ o elogiou e disse que sempre gostou dele. E, apesar de ter retornado num jogo atípico (o time podia perder por até sete gols), Gago foi o melhor jogador do Real Madrid em campo.

Em sua melhor versão, Gago não joga para ser mais um. Joga para ser titular. A partir deste retorno, o argentino brigará internamente com Khedira e até mesmo com Granero (a alternativa de ‘Mou’), pois este sim é um jogador que não se contenta em ser um ‘Lass’ ou um ‘Diarra’. A sua busca é para ser o parceiro de Xabi Alonso como dupla de volante.

Se não houver nova recaída – e vamos torcer para que não haja – Gago terá meia temporada para recuperar o tempo perdido e dificultar Mourinho na escolha das peças para o meio de campo.

Não se sabe como o ‘camisa 5’ vai se sair ao longo das rodadas, mas 2011 certamente é um recomeço em sua carreira. Agora é aproveitar cada oportunidade e manter a postura que vem tendo dentro e fora de campo.

Kaká no esquema do Mourinho.

Kaká voltou a treinar junto com o time e tem sua volta prevista para metade de janeiro do ano seguinte. Isso nos faz pensar como seria o esquema tático da equipe caso ele jogue como titular.

Kaká voltou a treinar no último fim de semana.

É claro que para ser titular, o Kaká precisa demonstrar o que se espera dele, principalmente porque os jogadores da linha de 3 no esquema 4-2-3-1, onde teoricamente ele se encaixaria, estão muito bem.

Cristiano não sairá da equipe por motivos óbvios, e tanto Özil como Di María estão muito bem (esqueçam o clássico no Camp Nou).

Mas se o Kaká voltar bem, vejo três jogadores que possam sair do time: Özil, Di María ou, o menos provável, Higuaín.

A saída do Özil não mudaria o esquema e não mexeria tanto na maneira da equipe jogar. Se sair o Di María o time perde um jogador que sem a bola marca muito, e vai muito bem ao ataque, mas há quem defenda que Özil e Kaká são compatíveis, é preciso testar. Já a saída do Higuaín (está machucado, mas é o titular) pode fazer o Cristiano atuar de centroavante, porém acho muito difícil, porque o Mourinho já disse que usar o CR nessa posição é deixar de aproveitar parte do seu talento.

Por último, e não mais improvável, existe a possibilidade de trocar o esquema tático da equipe, é importante lembrar que o esquema 4-3-3 agrada bastante ao ‘Mou’. Na pré-temporada ele testou essa formação.

Bom, é esperar e torcer pra que o Kaká faça valer o que foi pago nele e ajude o Real Madrid no ano de 2011.

Coluna escrita por: Lucas Ribeiro | Seja um colunista você também | Leia mais colunas no blog

2010 é o ano de Iniesta.

Difícil ver três jogadores do Barcelona no pódio para receber o prêmio de melhor jogador do mundo da FIFA referente ao ano de 2010. Difícil, pois se trata do maior rival do Real Madrid. Por outro lado, é fácil analisar os três craques. Simplesmente por que são craques de bola.

“Dani Jarque siempre con nosotros”.

Messi, Xavi ou Iniesta? As opiniões se dividem, mas darei a minha breve opinião na postagem. Acredito que o terceiro lugar será injusto. Sneijder e Forlán também mereciam estar aí. O primeiro fez uma grande temporada, conquistou a tríplice coroa com a Inter e marcou cinco gols na Copa do Mundo. O segundo comandou o Uruguai numa campanha histórica na África do Sul e levou o Atlético de Madrid ao título da Europa League.

Mas no lugar de quem um dos dois entraria? No de Messi, o melhor jogador do mundo em 2009. O argentino fez uma grande temporada com o Barcelona como era esperado, porém não brilhou com a Argentina na Copa do Mundo, como também era esperado. E em ano de Copa do Mundo, brilhar na Copa é sinônimo de brilhar no prêmio da FIFA.

O primeiro lugar é uma das decisões mais difíceis de tomar. Frente a frente, dois amigos e companheiros tanto de clube quanto de seleção. Xavi e Iniesta são simplesmente os jogadores que fizeram e fazem Messi ser Messi. Os espanhóis não jogam na seleção argentina. E Messi brilha no Barcelona. Esse é o grande segredo do time catalão: Xavi e Iniesta.

Apesar de ser o maior rival do time merengue, há de se parabenizar a equipe por ter formado estes jogadores. Inicialmente, pensaria em dividir o prêmio em dois, pois são os suportes e peças-chave tanto do Barcelona quanto da seleção espanhola. E se Messi fez uma grande temporada no Barcelona, Xavi e Iniesta fizeram uma grande temporada no Barcelona e ainda fizeram história ao levar a Espanha ao inédito título da Copa do Mundo.

Agora, sendo obrigado a escolher um, penso que o vencedor deveria vir com uma diferença de apenas um voto. Xavi sempre foi um comandante. Um líder que nunca precisou estar no centro dos holofotes. Um grande jogador, que sempre mereceu o reconhecimento pelo seu trabalho. Em outras circunstâncias, deveria receber o prêmio de olhos fechados.

Mas só podemos escolher um. E, como não dá para agradar a todos, só podemos analisar o ano com cada passe, cada gol, cada jogada e cada momento único para fazermos a melhor escolha. Uma imagem nunca vai sair da minha cabeça, e acredito que se passa o mesmo com milhões de outras pessoas: Casillas, agachado, chorando compulsivamente por um único momento. Um momento que mudou a história da Espanha.

Casillas estava de um lado do campo, desabafando um sentimento que nada mais era do que um sonho mágico que tinha acabado de virar realidade. Do outro lado do campo, a bola já estava no fundo da rede. Iniesta acabava de marcar o gol mais importante da história do futebol espanhol.

O momento era único. Mas Iniesta não pensou só em si, pelo contrário, tirou a camisa e dedicou o gol ao amigo que havia falecido: Dani Jarque. Um gesto nobre. Inesquecível. Vibrou, chorou. Deu o título para a Espanha e lembrou-se do amigo. Ali, naquele 11 de julho, fez a Espanha ser grande. E se fez mais grande ainda. 2010 é o seu ano.

A primeira derrota de Mourinho no Real Madrid.

José Mourinho sofreu a primeira derrota como treinador do Real Madrid. Após 25 partidas (contando Real Madrid e Internazionale), o técnico madridista viu a derrota no Camp Nou, o mesmo palco onde fez história com o time italiano na Champions, eliminando o time da Catalunha.

Mourinho comandando o conjunto blanco.

O Real Madrid também tinha um bom número: 26 partidas sem perder (contando Mourinho e Pellegrini). A última derrota de Pellegrini também foi contra o Barcelona. O placar foi 2 a 0, gols de Messi e Pedro.

O clássico dos recordes ainda deixou um dado sobre Cristiano e Messi: O português segue sem marcar no Barcelona. Foram seis as oportunidades. Já o jogador argentino, tão pouco conseguiu marcar contra uma equipe comandada por Mourinho. No entanto, já marcou contra o Real Madrid.

‘Mou’ reconheceu que nunca havia perdido por uma diferença tão grande (5-0). Porém, o treinador blanco não prolongou o caso e já tratou de fazer a equipe merengue pensar no jogo contra o Valencia, afinal, apenas dois pontos separam Barcelona e Real Madrid na tabela. Será um grande desafio contra o Valencia, uma equipe que mostrou a sua força numa temporada em que todos acharam que seria fraca após as saídas de Silva e Villa. 

Um campeonato de 38 rodadas não é decidido na 13°. Mourinho pode reverter a situação ao longo da temporada ou até mesmo no clássico do segundo turno no Bernabéu. Não se sabe quem estará líder até lá, mas os madridistas, independente de tudo, vão querer uma única coisa: a revanche.

O clássico dos recordes.

O Real Madrid chegará ao Camp Nou líder do campeonato espanhol. Após 12 rodadas, o time merengue ocupa a primeira posição com 32 pontos. Isto significa que foram até aqui 10 vitórias e 2 empates. É a primeira vez na história que o clube alcança tamanho registro nesta fase da La Liga.

Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, uma briga entre gigantes.

Será o primeiro super clássico de Mourinho. O português também está na história, já que é o melhor treinador estreante da história da La Liga. Cristiano Ronaldo, então, nem se fala. É o artilheiro do campeonato com 15 gols em 12 rodadas, algo que nenhum jogador do Real Madrid conseguiu fazer desde a temporada 1935/36, quando Sañudo marcou 16 vezes; veja os números de Cristiano em 50 partidas de blanco.

E Casillas, o salvador do Real Madrid e da seleção espanhola? Contra o Bilbao, conquistou a sua vitória de número 250. Só levou 6 gols até o momento, o que dá uma média de 0,5 gols recebidos por partida nestas 12 rodadas. Tal número o converte no ‘Zamora’ da La Liga.

Apesar de a semana ter contado com uma rodada da Champions, ninguém esqueceu o clássico. Cristiano minimizou o fato de o Barcelona ter goleado o Almería por 8 a 0: “Vamos ver se eles nos metem 8”, disse o português. Do lado dos catalães, Bojan disse: “Com 1 a 0 nos conformamos”. Os treinadores, no entanto, não entraram em atrito.


Trailer do clássico em HD.

O Barcelona está um ponto atrás, o que significa que quem vencer no Camp Nou será o líder. Messi também luta pela artilharia. O argentino marcou 13 gols até aqui. É um clássico de recordes. Não é a toa que é o maior clássico do futebol mundial. Todos estarão ligados em plena segunda-feira.

"Que ganhe o melhor. E o melhor será o Real Madrid."
Crstiano Ronaldo, sobre o clássico no Camp Nou.

A imprensa holandesa e a estratégia de Mourinho.

A goleada do Real Madrid diante do Ajax por 4 a 0 no Amsterdam Arena teve efeitos de todos os sentidos. Na Holanda, a imprensa do país lamentou a imagem do time da casa e aplaudiu a “lição” que o time de Mourinho deu na Champions. Um dos diários do país, o ‘De Volkskrant’, comentou assim: “Os homens de Mourinho fizeram o seu trabalho, enquanto os do Ajax tiveram que dar tudo para simplesmente poder jogar”.

 Seqüência do diálogo da estratégia de ‘Mou’.

Em contrapartida, a imprensa mundial e principalmente os desafetos de Mourinho, questionaram as expulsões planejadas de Xabi Alonso e Sergio Ramos. O treinador merengue, com a vitória garantida, passou informações para que os dois forçassem suas expulsões para poderem chegar às oitavas de final sem nenhum cartão (vide seqüência na foto acima). Ambos já tinham um amarelo na partida.

A estratégia de Mourinho rendeu polêmica, como tudo o que envolve o mesmo. A UEFA, no entanto, anunciou que iria investigar o ocorrido (estão à espera da ata da partida), já que não é a primeira vez que isto acontecesse.

Em 2008, Juninho e Cris forçaram o cartão amarelo em uma partida do Lyon contra a Fiorentina e foram punidos com uma multa de 10 mil euros. Porém, puderam disputar as partidas de oitavas de final normalmente.

Mourinho, no entanto, desmentiu que tudo tenha sido planejado após o jogo. Comentou assim: “Não podemos tomar este tipo de cartão”; Ramos também não admitiu: “Quando Iker se aproximou, foi para falar coisas sobre a partida”, desviou. Todavia, Casillas deixou escapar algo: “Tinha que dar uma ordem. Dudek me transmitiu e tudo se saiu bem”, comentou o goleiro.

O Real Madrid controlou tudo: A partida, o resultado e inclusive os cartões amarelos. Mourinho é sim um estrategista. Pensa, projeta e executa, sem medo. Não é modesto, até disse isso em entrevista. Mais um grande resultado na temporada. A equipe segue incomodando os adversários.

Llorente, a surpresa da temporada.

Fernando Llorente iniciou a temporada com o pé-direito. Havia conquistado a confiança de Del Bosque, foi para a Copa do Mundo e se sagrou campeão do mundo com a Espanha sendo reserva na equipe. Na volta da África do Sul, ganhou destaque na seleção e teve mais minutos.

Llorente comemora o seu gol ao lado de Ramos numa partida contra a Lituânia.
No seu clube, o Athletic Bilbao, Llorente deu continuidade à sua boa fase. Atualmente, o atacante espanhol possui 9 gols em 12 partidas. É o terceiro artilheiro da La Liga, só ficando atrás de Cristiano Ronaldo e Messi.

Na 12° rodada da La Liga, marcou um gol no Real Madrid, na goleada do time merengue por 5 a 1. Foi o 4° gol do camisa ‘9’ (ou ‘19’ na seleção) em cima do Real Madrid. 4 gols em 10 partidas contra o time blanco.

Ao término do jogo, Llorente elogiou o estádio do Real Madrid: “O Bernabéu é muito especial”, disse. Os madridistas parecem gostar do jogador, já que a maioria o aplaudiu quando foi substituído no fim do segundo tempo.

Provavelmente Llorente estará em algum clube grande na próxima temporada. O Real Madrid pode ser o seu destino, já que Mourinho demonstrou interesse no atacante. Se isso vai se concretizar, não se sabe, mas Llorente surgiu e quer triunfar. É a sua melhor temporada.

Falando sobre números, não podemos deixar de citar um madridista. Se Llorente leva 4 gols em 10 partidas contra o Real Madrid, Higuaín marcou no último jogo o seu gol número 6 em 6 partidas contra o Athletic Bilbao.

50 vezes Cristiano Ronaldo.

O português Cristiano Ronaldo completou diante do Atlético de Madrid a partida de número 50 com o Real Madrid. Os números são impressionantes. Após pouco mais de um ano vestindo a camisa blanca, o antes CR9 e agora CR7 superou a média goleadora de lendas do clube merengue como Di Stéfano, Puskas, Hugo Sánchez, entre muitos outros.

Cristiano comemorando um de seus gols contra o Racing.
Em 50 partidas jogadas, Cristiano marcou incríveis 45 gols. Foram 37 gols em 39 partidas da La Liga, quase 1 por jogo. Ainda pela La Liga, marcou 10 gols em 4 partidas consecutivas. Um feito inédito na história do clube. Foram 3 dobletes (Deportivo, Málaga e Hércules) e 4 gols numa mesma partida (Racing). Na Champions, marcou 8 gols em 10 partidas.

No derbi, Cristiano não marcou, mas entrou para a história com 50 partidas de blanco. Os números e a entrega do português mostram que os mais de 95 milhões de euros pagos em meados de 2009 foram muito bem gastos. Não é apenas questão de gostar ou não do jogador, é estatística.

Só no mês de outubro de 2010, por exemplo, CR7 marcou 13 gols, contando Real Madrid e seleção portuguesa. Este arranque fez com que o seu promédio de gols chegasse a 0,9 por partida. Não é a toa que é o artilheiro isolado do campeonato espanhol com 12 gols.

Os torcedores do Real Madrid podem esperar grandes feitos. Entrar para a história é algo habitual na vida do português. Em setembro de 2009, o craque madridista já havia alcançado algo inédito. Assim é Cristiano.

Di María, o 'anjo' de Mourinho.

Di María cresceu e se formou nas categorias de base do Rosário Central. Por lá fez carreira como ponta esquerda. Porém, teve de jogar e se adaptar em outras posições cada vez que jogava com a seleção argentina. Durante este tempo, teve um grande seguidor: José Mourinho. O treinador português sempre o acompanhou com atenção. Admirava o seu futebol.

Marca registrada de Di María ao comemorar um gol.

O representante do técnico merengue, por destino ou coincidência, era o mesmo do jogador argentino: Jorge Mendes. Com isto, os contatos foram bem fáceis; Nos últimos anos, Ángel di Maria jogou no Benfica de Portugal numa posição bem ofensiva. Seu ex-treinador, ao saber que o craque estava indo para o Real Madrid, disse o seguinte: “É a melhor contratação do Madrid. Nos últimos 30 metros é imparável”, comentou.

Mourinho estuda bastante antes de colocar algo em prática. Com Di María não foi diferente. O português sabia que o argentino era valioso. ‘Mou’ estava certo, já que em tão pouco tempo o camisa ‘22’ mostrou que é rápido e eficiente. Di María conquistou os torcedores madridistas. O treinador da equipe teve participação neste arranque. Foi isto o que disse antes de sua apresentação: “Temos que ensiná-lo a jogar fora do seu lugar habitual para que apóie o meio de campo e gere espaços para os atacantes”.

A primeira coisa que Mourinho disse ao chegar a Madrid era que precisava de um meia. Deu as características de Di María, logo após o seu nome e por fim a vontade de pagar o que o Benfica estava cobrando. Florentino Pérez, no entanto, não queria pagar 25 milhões de euros por um jogador que não estava na mídia. Ou como diziam alguns, um “coadjuvante”. Mas, como o técnico era Mourinho e o português não desiste, o presidente cedeu. Infelizmente o jovem Rodrigo Moreno precisou ir embora, mas deu certo.

Fora dos holofotes, Di María foi se consolidando como peça fundamental da equipe blanca. Só contra o Racing, por exemplo, participou de quatro dos seis gols dos merengues. Sobre o carinho da torcida, disse assim: “Estou feliz por que a torcida está reconhecendo o meu esforço. As coisas estão indo bem e isso me faz feliz”, completou. O argentino segue sendo um dos melhores e mais regulares jogadores da equipe e ganhou, com méritos, o seu lugar no time titular de Mourinho. Mas ambos querem mais.

Contra o Racing, Mourinho, que já tinha gasto as três substituições, decidiu tirar Di María de campo faltando alguns minutos para o fim, pois percebeu que o argentino tinha sentido a perna. Deixou a equipe com dez jogadores, ao mesmo tempo em que abraçou o jogador e pediu para que a torcida no Bernabéu aplaudisse o agora ponta direita. Di María não se esqueceu da moral que ganhou naquele momento: “Mourinho disse que estava orgulhoso do meu trabalho e fico feliz com isso”, disse com um sorriso no rosto.

Não é a toa que Di María foi a primeira contratação da era ‘Mou’ e, ainda por cima, a contratação mais cara do Real Madrid na temporada.

Van der Vaart merecia mais.

Não há mais holandeses no Real Madrid. A cúpula chutou todos. Se não bastasse o que fizeram com Robben e Sneijder, agora foi a vez de Van der Vaart. Uma grande injustiça, visto que foi um dos jogadores mais destacados da equipe merengue na temporada anterior.

Vaart atuando pelo Real Madrid nesta temporada.

Enquanto todos colocavam fé em Kaká, o novo contratado da época, Vaart segurou as pontas e jogou durante todo o tempo em que o brasileiro ficou fazendo migué para jogar a Copa do Mundo. Em dezembro de 2009 o blog publicou a coluna Van der Vaart, a luta contra o destino. Ali já se via a pouca atenção ao holandês, que marcava gols decisivos e se dedicava.

Mas em Madrid não há justiça, não com Pérez e Valdano no caminho. O jogador que tanto tentou mostrar o seu valor foi vendido para o Tottenham por 11 milhões de euros. Pouco para quem esteve atuando mais e melhor de quem chegou por 65 milhões.

Agora, Mourinho conta com os talentosos Canales e Özil, além do rápido Di María e da aposta Pedro León. Kaká vai ficar afastado até dezembro e sabe-se lá o que mais ele vai aprontar. Ou seja, não conta. Vaart poderia (e deveria) fazer parte desta nova equipe, afinal, são três competições a serem disputadas e as lesões continuam assombrando o time.

O treinador do Tottenham, Harry Redknapp, riu a toa. Quando viu que poderia contar com o holandês por 11 milhões, fechou o acordo e já preparou a equipe para receber o craque. Assim, o Real Madrid deixa escapar mais um holandês e por valores muito menores do esperado.

Uma matemática que a cúpula continua achando que é certa. Além disto, sem receber a devida atenção e prestígio pela luta que teve desde os tempos do problema de saúde de sua esposa (leia na coluna de 2009). Mais um ponto negativo para Pérez, Valdano & Cia.


Vídeo de despedida de Vaart, um madridista injustiçado.

Van der Vaart merecia mais. Muito mais!

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